A estréia!!

Projeto SomBras traz ao palco do Teatro da UBRO no dia 19 de setembro o espetáculo “Se eu fosse uma bolha de sabão” do Grupo A Corda em Si. Apesar do nome o mesmo é direcionado ao público adulto, e terá sua estréia gratuita e exclusiva para os funcionários da COMCAP.

Em uma linguagem sensível e subjetiva, o espetáculo “Se eu fosse uma bolha de sabão” reúne teatro de sombras e musica ao vivo, além de momentos de dança e poesia. Ao construir mundos imaginários, as cenas conduzem o expectador por diferentes emoções. O espetáculo conta de forma não literal histórias narradas por adultos sobre suas experiências de infância.

Do lixo à poesia, a montagem do espetáculo, realizada em parceria com o Museu do Lixo de Florianópolis, partiu de visitas do grupo ao Lixão da cidade em busca de objetos translúcidos utilizados como silhuetas na projeção das imagens do teatro de sombras e como material cenográfico.

A música é feita a partir da rara combinação de contrabaixo acústico e voz, formação do grupo A Corda em Si, que apresenta suas composições na forma de canções instrumentais. A dança aparece no movimento das silhuetas da bailarina e do sapateado, que também compõe a cena como um instrumento musical. E a poesia se faz presente nas declamações feitas em cena… “Sombra assopra, inspira sombra, sentindo sua sombra sair por ai” (Luana Mara – diretora teatral).

O espetáculo conta com uma equipe de 7 artistas, entre eles Mateus Costa (contrabaixista e diretor musical), Fernanda Rosa (cantora e poetiza), Adriana Strappazzon (atriz), Isabela Spigolon (atriz e bailarina), Luana Mara (diretora teatral e poetiza), Adriana Cardoso (figurinista) e Roberto Gorgatti (dramaturgista).

Ida à montanha de lixo

O Projeto SomBras tem, desde o ano passado, firmado uma parceria com o Museu do Lixo de Florianópolis, instalado pela Companhia Melhoramentos da Capital – Comcap, empresa responsável pela coleta de resíduos sólidos e pela limpeza pública de Florianópolis.

Quando decidimos que as silhuetas a serem utilizadas para a projeção das sombras do espetáculo seriam lixo coletado e reutilizado, entramos em contato com o Nei, funcionário da Comcap responsável pelo Museu do Lixo, e demos início a esta parceria. Em nossa primeira visita, ainda no final do ano passado, conversamos com ele em seu escritório, conhecemos o Museu e coletamos alguns materiais encontrados numa sala/ depósito, onde o Nei guarda alguns materiais encontrados no lixo antes de estes tomarem novos destinos (irem pras prateleiras do próprio museu, serem utilizado em futuras oficinas dada por ele, ou tomarem novos rumos fora dalí). Fizemos uma segunda visita para coleta de materiais para a cena agora em março, mas desta vez, fomos um pouco mais a fundo no lixo, literalmente.

Chegamos no Museu do Lixo e fomos encontrar o Nei. Ele, sempre muito atencioso e falador, nos mostrou todo o Museu (reorganizado), nos contou dos projetos em que ele está envolvido e depois nos levou ao espaço onde trabalham as Associações de triagem dos materiais recicláveis. A coleta seletiva de Florianópolis é realizada pela Comcap, mas a seleção e encaminhamento deste material para as empresas é responsabilidade das duas associações de triadores formadas por mais de 100 famílias da Grande Florianópolis – ACMR e Aresp,  para quem todo material recolhido é doado.

Quando chegamos, nos deparamos com uma montanha enorme de lixo empilhado. O Nei já foi logo subindo no lixo, e a gente ficou ao redor do lixo, só olhando. Depois tomamos coragem e subimos um pouquinho, nos mantendo apenas nas bordinhas, até que eu e a Bella já estávamos lá no meio do monte, colocando na cabeça umas peças de fantasia de escola de samba encontradas lixo e rindo um monte dos achados. Achamos uma bola novinha que peguei pra mim pra fazer trabalhar com recreação com crianças e a Bella achou uns vasinhos pra flor e uns porta retratos que também pegou pra ela. Era tanta coisa…! O Nei ia jogando pra gente coisas que ele encontrava e achava que nos serviriam como silhueta, e, nós, jogando estas somadas às que encontrávamos para a Adri, que se manteve nas bordinhas da montanha até o final.

Encontramos no lixo tantas coisas interessantes, coisas não só para o projeto, mas também para uso pessoal, que as três, eu e as duas atrizes, a Bella e a Adri, estávamos empolgadas com tudo o que víamos. Parecíamos estar em um shopping fazendo compras! Era tanta coisa que mal coube no carro! Achamos até mesmo uma colcha, uma cortina black out e um banner de filmes vieram a ser usados na vedação da iluminação das janelas da nossa BatCaverna (é como apelidamos nosso espaço de ensaio). Da próxima vez, a Fê e o Mateus vão também pra não perder esta!

Enquanto estávamos lá, chegou um caminhão para despejar mais lixo em cima do monte de lixo que já estava lá. Logo que o lixo foi despejado, veio um bando de gente para ver o que tinha ali, porque tinham coisas incríveis mesmo. Foi como jogar ração num criadouro de peixes, todos curiosos em busca de novas pérolas do lixo.

Contar é um pouco triste, porque era uma montanha muito grande de lixo e logo iam chegando mais caminhões para despejar mais, mas, com o aumento da consciência da população a cerca da separação entre o lixo comum e o lixo reciclável, o volume deste tem aumentado, só que o porte e a capacidade das Associações não. Quando voltamos a visitar o museu no começo de abril, esta montanha havia sumido… Foi para o lixão junto com o lixo comum, pois passara o prazo que tinham para a seleção daquele material.

Sabemos que em Curitiba a reciclagem de material é feita em grande quantidade, porque as indústrias de reciclagem ficam próximas da cidade e muitas pessoas vivem da coleta e da venda do lixo. Até mesmo o papel higiênico é reciclado! Não, não pra fazer papel higiênico, mas para reutilizar a fibra do papel na produção de caixas de papelão.

Há materiais que são 100% recicláveis, como o alumínio e o vidro, mas o Nei disse que o vidro é um dos materiais mais baratos para venda e ainda tem o peso e a manipulação dele (cacos) que dificultam o transporte e manipulação do material pelos triadores, por isso eles acabam optando por vender apenas outros tipos de materiais que sejam mais leves e compensem mais no valor da venda.

Em alguns casos, o processo de reciclagem gasta tanta energia e faz o uso de tanto produto químico, que acabando por causar mais danos do que se teria para fazer um novo material. Por exemplo o papel é um material fácil de reciclar mas o gasto de energia para reciclar o papel é muito alto, muito mais caro do que a energia que se usa para fazer o papel da madeira. Assim, é necessário pesar na balança até que ponto vale a pena reciclar e até que ponto pode-se estar agredindo mais a natureza reciclando do que não reciclando. As vezes, o que compensa mais mesmo é reutilizar – que é uma das propostas deste projeto!

Voltando à nossa visita, uma coisa muito importante que ainda não falamos foi que os funcionários da Comcap ficaram curiosos com a nossa presença lá e, interessados, vinham nos perguntar porque estávamos lá e o que estávamos fazendo. “É para um teatro de sombras”, respondíamos, e ficávamos explicando o que é isso, como funciona e como usaríamos o material que estava sendo coletado enquanto o pessoal imaginava como devia ser esse tal de “teatro de sombras”. Foi daí que surgiu a ideia de fazer uma apresentação do espetáculo voltada só para os funcionários da Comcap. Além desta, nossa intenção é também fazer uma oficina com eles após a apresentação, para todos conhecerem os bastidores do teatro de sombras, como trabalhamos, entenderem como os materiais são usados, e abrir para um bate papo sobre o processo criativo das cenas. Uma vez que o museu do lixo não tem estrutura para a vedação da luz, a ideia é que a apresentação seja feita no teatro da UBRO, para onde levaremos os funcionários para assistir as apresentações.

Esta proposta está sendo patrocinada pela ITAIPU Binacional e é parte de um projeto maior, sendo o apoio desta 15% do valor total do projeto.

“Caminhando, cantando e seguindo a canção”, lá vamos nós… apagando luzes, ascendendo focos e buscando mais patrocinadores para a efetivação do projeto completo.

SomBras

Há um pouco mais de dois anos, uma sementinha foi semeada durante um cafezinho com Luana Mara na cozinha da antiga casa de Mateus Costa e Fernanda Rosa. Nele, estes falaram de um desejo em montar um novo espetáculo que trabalhasse com teatro de animação e música e a convidaram para desenvolver essa ideia junto com eles. Esta sementinha ficou hibernada por mais de um ano e meio até que um brotinho começou a despontar…

Reuniões foram feitas, ideias encaminhadas e as mãos foram à obra! A equipe de produção se consolidou e as atrizes foram convidadas. Pesquisas, conversas, planejamentos, encaminhamentos, primeiros ensaios, primeiras composições… Sem sombra de dúvida, o brotinho começa a tomar forma.

Agora, com um cenário e um projeto de equipamento de luz a serem confeccionados, passamos a um novo estágio de desenvolvimento: a busca por recursos financeiros para garantir o nascimento dos frutos deste projeto.

Neste blog, compartilharemos momentos de nosso processo e referências de nossa pesquisa.

…Entre sombras e notas musicais, seguimos.